
Os biólogos evolucionistas não conseguiram compreender que trabalham com dois domínios mais ou menos incomensuráveis: o da informação e o da matéria. Esses dois domínios nunca serão juntos em qualquer dos sentidos geralmente implicados no termo “reducionismo”. Pode falar-se de galáxias e partículas de poeira nos mesmos termos, porque ambas possuem massa e carga e comprimento e profundidade. Não se pode fazer isso com informação e matéria. A informação não tem massa ou carga ou comprimento em milimetros. Do mesmo modo, a matéria não possui bytes. Não se pode medir tal quantidade de ouro em tal quantidade de bytes. Não possui redundância, ou fidelidade, ou qualquer outro descritor que se aplica à informação. Essa falta de descritores partilhados torna a matéria e a informação dois domínios de existência separados, que têm que ser discutidos separadamente, nos seus próprios termos.
O gene é um pacote de informação, não um objecto. O padrão de pares de base numa molécula de DNA especifica o gene. Mas a molécula de DNA é o meio, não é a mensagem. Manter esta distinção entre o meio e a mensagem é absolutamente indispensável para a clareza de pensamento acerca da evolução.
O simples facto de há quinze anos atrás [1980] ter começado a usar um computador pode ter algo a ver com as ideias que estou a expor. O constante processo de transferir informação de um meio físico para outro e depois ser capaz de recuperar essa mesma informação no meio original recorda a separabilidade de informação e matéria. Em biologia, quando falamos sobre coisas como genes e genotipos, estamos a falar de informação, não de realidade física objectiva. São padrões.
Também fui influenciado pelo conceito de “meme” de Dawkins, que se refere à informação cultural que influencia os comportamentos das pessoas. Os memes, ao contrário dos genes, não possuem um único tipo de meio. Considere-se o livro Don Quixote: uma ‘pilha’ de papel com marcas de tinta nas páginas, mas podia pôr-se num CD ou numa fita gravada e transformá-lo em ondas sonoras para cegos. Não importa qual o meio em que esteja, é sempre o mesmo livro, a mesma informação. Isto é verdade para tudo o resto no âmbito cultural. Pode ser registado em muitos meios (media) diferentes, mas é o mesmo meme independentemente do meio em que está registado.
Na evolução cultural, obviamente, a ideia de uma chávena ou de uma mesa é algo que persiste. As chávenas e as mesas não persistem, elas são recorrentes como resultado da persistência da informação que diz às pessoas como fazer chávenas e mesas. É a mesma coisa em biologia: mãos e pés e narizes, etc. não persistem, eles são recorrentes como resultado das instruções genéticas para fazer mãos e pés e narizes. É a informação que permanece e evolui. Obviamente, é devido às manifestações físicas da informação que sabemos acerca da informação.
George C. Williams, in John Brockman "The Third Culture. Beyond the Scientific Revolution"