02 abril 2011

12 março 2009

A natureza da investigação


Para se compreender a natureza da investigação tem de se fazer investigação. Investigar é como tocar um instrumento musical: não se pode ser bom lendo apenas livros.

Martin Brett Davies,
"Doing a Successful Research Project" (adaptado)

04 março 2009

Informação é surpresas

As pessoas estão concebidas para serem capazes de acumular e indexar quantidades intermináveis de informação; descobrir informação e ligá-la ao pedaço de informação seguinte – é tudo o que fazemos.
Roger Schank, in John Brockman "The Third Culture. Beyond the Scientific Revolution"

03 março 2009

Pacotes de informação


Os biólogos evolucionistas não conseguiram compreender que trabalham com dois domínios mais ou menos incomensuráveis: o da informação e o da matéria. Esses dois domínios nunca serão juntos em qualquer dos sentidos geralmente implicados no termo “reducionismo”. Pode falar-se de galáxias e partículas de poeira nos mesmos termos, porque ambas possuem massa e carga e comprimento e profundidade. Não se pode fazer isso com informação e matéria. A informação não tem massa ou carga ou comprimento em milimetros. Do mesmo modo, a matéria não possui bytes. Não se pode medir tal quantidade de ouro em tal quantidade de bytes. Não possui redundância, ou fidelidade, ou qualquer outro descritor que se aplica à informação. Essa falta de descritores partilhados torna a matéria e a informação dois domínios de existência separados, que têm que ser discutidos separadamente, nos seus próprios termos.
O gene é um pacote de informação, não um objecto. O padrão de pares de base numa molécula de DNA especifica o gene. Mas a molécula de DNA é o meio, não é a mensagem. Manter esta distinção entre o meio e a mensagem é absolutamente indispensável para a clareza de pensamento acerca da evolução.
O simples facto de há quinze anos atrás [1980] ter começado a usar um computador pode ter algo a ver com as ideias que estou a expor. O constante processo de transferir informação de um meio físico para outro e depois ser capaz de recuperar essa mesma informação no meio original recorda a separabilidade de informação e matéria. Em biologia, quando falamos sobre coisas como genes e genotipos, estamos a falar de informação, não de realidade física objectiva. São padrões.
Também fui influenciado pelo conceito de “meme” de Dawkins, que se refere à informação cultural que influencia os comportamentos das pessoas. Os memes, ao contrário dos genes, não possuem um único tipo de meio. Considere-se o livro Don Quixote: uma ‘pilha’ de papel com marcas de tinta nas páginas, mas podia pôr-se num CD ou numa fita gravada e transformá-lo em ondas sonoras para cegos. Não importa qual o meio em que esteja, é sempre o mesmo livro, a mesma informação. Isto é verdade para tudo o resto no âmbito cultural. Pode ser registado em muitos meios (media) diferentes, mas é o mesmo meme independentemente do meio em que está registado.
Na evolução cultural, obviamente, a ideia de uma chávena ou de uma mesa é algo que persiste. As chávenas e as mesas não persistem, elas são recorrentes como resultado da persistência da informação que diz às pessoas como fazer chávenas e mesas. É a mesma coisa em biologia: mãos e pés e narizes, etc. não persistem, eles são recorrentes como resultado das instruções genéticas para fazer mãos e pés e narizes. É a informação que permanece e evolui. Obviamente, é devido às manifestações físicas da informação que sabemos acerca da informação.
George C. Williams, in John Brockman "The Third Culture. Beyond the Scientific Revolution"

17 fevereiro 2009

A importância dos Memes


(...) aquilo que é preservado e transmitido na evolução cultural é informação - em sentido neutro, em relação aos media e em relação à linguagem. (...)
Se alguma vez existiu transmissão "multimedia" e transformação de informação tratou-se e trata-se de transmissão e transformação cultural.

Daniel Dennett, "Darwin's Dangerous Idea"

Conhecimento conjectural e incerto


Recomecemos...

a) Tudo depende do ORGANISMO: - da sua estrutura; - do seu estado; - da sua actividade.
b) 99% do conhecimento de todos os organismos é inato e encontra-se incorporado na sua constituição bioquímica.
c) Todo o conhecimento é hipotético, é adaptação a um ambiente em parte desconhecido.
d) A nossa adaptação ao ambiente nunca é óptima, é sempre imperfeita.
e) Adaptações e expectativas são homólogas relativamente às teorias científicas.
f) Problemas, valores e actividades evoluem simultaneamente.
g) Ao resolver-se um problema introduz-se uma nova teoria com novos valores.
h) A interpretação faz parte da acção.

Karl Popper, "Um mundo de propensões"

21 janeiro 2009

Agradecimento

Muito obrigado pela vossa colaboração.
Retomaremos a exercitação no início do 2º semestre. A partir de então tentaremos realizar uma miscelânea entre as teorias da comunicação e as metodologias de investigação em comunicação.

;-)

11 dezembro 2008

O que são Novos Media?

(...) tal como a imprensa no século XIV e a fotografia no século XIX tiveram um impacto revolucionário no desenvolvimento da sociedade e cultura modernas, hoje estamos no meio de uma nova revolução dos media - a mudança de toda a cultura para formas de produção, distribuição e comunicação mediadas por computador. Esta nova revolução é provavelmente mais profunda do que as anteriores, e estamos apenas a começar a registar os seus efeitos iniciais. De facto, a introdução da imprensa afectou apenas um nível da comunicação cultural - a distribuição dos media. Do mesmo modo, a introdução da fotografia afectou apenas um tipo de comunicação cultural - imagens fixas. Em contraste, a revolução mediática do computador afecta todos os níveis da comunicação incluindo a aquisição, manipulação, armazenamento e distribuição; também afecta todos os tipos de media - textos, imagens fixas, imagens móveis, som e construções espaciais.
Lev Manovich

10 dezembro 2008

A visibilidade tem duas vias

Enquanto o Panopticon torna muita gente visível para alguns e permite que o poder seja exercido sobre muitos sujeitando-os a um estado de visibilidade permanente, o desenvolvimento dos meios de comunicação proporciona uma via através da qual muitas pessoas podem recolher informação sobre poucas e, ao mesmo tempo, poucas podem aparecer perante muitas; graças aos media, são principalmente aqueles que exercem o poder, em vez daqueles sobre quem o poder é exercido, que são sujeitos a um certo tipo de visibilidade.
John B. Thompson

Futuros do papel

Posto da maneira mais básica possível, o princípio central que governa a sobrevivência dos meios de comunicação funciona assim: uma tecnologia de informação sobrevive na medida em que satisfizer necessidades humanas melhor do que as suas rivais. Mas há, pelo menos, dois factores que complicam a situação. Primeiro, a contínua evolução de meios de comunicação, normalmente com profundas consequências inesperadas, significa que estão frequentemente na calha os rivais de qualquer meio. segundo, um determinado meio realiza normalmente várias tarefas, resultando que talvez ele bata os seus rivais numa área, mas falhe perante o mesmo conjunto ou um conjunto diferente de rivais noutra área. A rádio cresce numa era da televisão porque já não é o centro da atenção à noite na sala de estar - onde foi facilmente ultrapassada pele televisão - mas corresponde à nossa capacidade inerente de ouvir enquanto fazemos outra coisa. Os livros e os jornais foram durante centenas de anos melhores do que os seus concorrentes não só quanto à preservação da informação mas também quanto à sua difusão, até os meios electrónicos do século XX ensombrarem sucessivamente a sua vantagem difusora.
Em que medida é que esses veneráveis meios impressos são actualmente vulneráveis enquanto veículos de recuperação?
Paul Levinson